
Por Anne Dias, jornalista de finanças pessoais
Você encontrou o homem da sua vida. Quando ele te olha, seu coração pula. Se ele te toca, meu Deus! No celular, a voz dele é única. Tudo nele te agrada: o cheiro, o jeito, o cabelo.
Só tem uma coisinha que te incomoda. Mas parece que é um negócio tão besta que você não dá muita atenção. É o jeito dele em relação ao dinheiro.
Neste sentido, vocês dois são muito diferentes. Ele é gastão. Pagou quase R$ 1 mil numa máquina de fazer café. Ou é o oposto disso: na hora em que a conta do restaurante chega, ele some ou então diz que esqueceu a carteira em casa.
Minha amiga, este problema não é tão besta quanto parece. E a tendência é o abismo entre vocês só aumentar com o tempo.
O que fazer então?
Primeiro é o clássico diálogo. Tente entender por que ele é tão diferente de você (Criação? Religião? Comodismo?). Cabe a você identificar a razão de ele lidar com o dinheiro desta forma. E isso tem de ser feito com cuidado, sem brigas nem acusações, do tipo: “Sua mãe não te ensinou nada mesmo!”. Calma, você tem de ser mais esperta que isso.
Aos poucos, vá perguntando para ele como ele lida com dinheiro. Se tem dívidas, se prefere pagar tudo à vista ou parcelado, quantos cartões de crédito tem. E vá sugerindo uma outra maneira de pensar em relação ao dinheiro.
De cara, ele não vai gostar. Vai dizer que você está errada, que sua estratégia não é legal. Diga simplesmente “ok”. Não insista, para não se passar por chata – esta é uma das maiores qualidades da mulher: saber recuar para ganhar lá na frente.
A ideia é fazer você ganhar o terreno do dinheiro. Deixar ele seguro de que você entende de grana para que ele compre sua ideia. E não a cafeteira de R$ 1 mil.
Para isso, você terá de identificar o perfil financeiro do moço. Se ele é mão fechada/aberta, se não se liga em dinheiro ou se é muito ligado ao fator financeiro. Seja honesta e pense também no seu jeito de lidar com a grana. Como você é? Vocês combinam? Do que você terá de abrir mão?
Além disso, você vai ter de fazer outra lição de casa, que é acompanhar um pouco mais de perto a economia para poder conversar com seu querido de igual para igual – ou mais. E acredite: é uma delícia entender de investimentos, planos econômicos e inflação. E até um pouco excitante para o casal… Já pensou: ouvir menos sobre os novos carros do mercado e falar mais sobre as taxas dos financiamentos de automóveis? Uau!
Voltando à nossa estratégia. Identificado o perfil do seu querido e acompanhado o noticiário econômico, você terá de ir ajeitando as coisas. Comece devagar. Se ele é gastão, deixe-o gastar, mas convença-o a comprar coisas mais baratas. Existem cafeteiras de R$ 1 mil, mas também têm as de R$ 300 que fazem o mesmo café. E, com a diferença, mostre onde ele pode investir.
Se ele for preguiçoso, dê o exemplo. Ensine a ele que é possível fazer investimentos de longo prazo e que não é preciso pensar em dinheiro o tempo todo. Mas que é bom ter sempre uma reserva para pagar aquela viagem à Itália ou simplesmente poder jantar fora todo sábado.
No fundo, no fundo, homem é como criança: precisa ver exemplos para se inspirar. Só tome cuidado para não puxar para você a única responsabilidade de gerir o dinheiro da casa. Este assunto tem peso dois na família, mas tem de ser partilhado e não deve ser assumido por um lado só.
Sua missão é ajudar seu querido a ser um cara mais maduro financeiramente. Só assim vocês vão poder construir uma vida a dois mais sustentável e feliz. E tenha certeza: dinheiro não é a base do relacionamento. Mas desorganizar-se financeiramente pode atrapalhar um amor que deveria ser para sempre.





