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Edição 67 | -

Excesso de informações

No mercado financeiro somos bombardeados constantemente por um fluxo incessante de informações. A quantidade de dados que podemos agregar em nossa análise na hora de tomar uma decisão de investimento é exorbitante. Ninguém consegue incorporar todas as informações disponíveis, que vão sendo atualizadas minuto a minuto. Mas, mesmo sabendo que a inclusão de todas as informações em nossa análise é impossível, costumamos pensar que, quanto mais notícias e dados pudermos levar em conta, melhor. Afinal, queremos realizar uma análise o mais abrangente possível para podermos alocar nossos investimentos de maneira adequada.

O grande problema é que mais informação nem sempre é equivalente a melhor informação. Por mais contra-intuitivo que isso seja, experimentos mostram que, em inúmeros casos, menos informações levam a decisões mais acertadas. Mas por que isso acontece? Experimentos feitos com participantes tão diversos como psiquiatras e tomadores de apostas em corridas de cavalos mostram que, à medida que mais informações são fornecidas para os sujeitos, o grau de acerto em sua análise cresce pouco, ao passo que sua confiança cresce bastante. Ou seja, as informações adicionais contribuem muito mais para inflar a confiança dos participantes do que para aumentar a precisão de suas análises.

No mercado financeiro, isso acontece da mesma maneira. Os investidores acreditam que, para que alcancem uma performance superior ao resto do mercado, eles devem saber mais do que o resto dos investidores. Por isso, buscam saber tudo que puderem sobre um papel antes de comprá-lo. É claro que não haveria nada de errado com isso, se fôssemos perfeitamente racionais e conseguíssemos processar informações como um computador. Mas como essa não é a realidade, acabamos deixando de excluir devidamente informações supérfluas, e nos tornamos confiantes demais por nos sentirmos bem informados. Como vimos em artigos anteriores, o excesso de confiança é extremamente prejudicial aos investidores, por levá-los a tomarem mais riscos do que imaginam, escolherem mal seus investimentos e fazerem trades com mais frequência (incorrendo em mais custos).

Assim, munidos de uma grande quantidade de informações dispensáveis que não contribuem efetivamente para a análise, muitos investidores acabam ficando excessivamente confiantes e tomando decisões erradas. Por isso, no que diz respeito a informações, o importante é ser criterioso e saber filtrar o que é relevante ou não é.

Mande suas dúvidas e observações para: financascomportamentais@gradualinvestimentos.com.br
Flávia Possas, mestre em Psicologia Econômica

Comentários (1)

Uma resposta to “Excesso de informações”

  1. Oziel disse:

    Ótimo artigo.
    Passei a acompanhara coluna da Flávia e nutri grande interesse por finanças comportamentais que estou fazendo meu TCC sobre o tema.

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