O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, possui uma coluna mensal na Revista InvestMais. Na edição de agosto o tema foi a atual crise econômico. Confira abaixo:
“Uma das coisas mais difíceis em economia, e em particular no mercado financeiro, é saber exatamente o que está acontecendo, qual é a relação causal exata no emaranhado infinito de eventos que se sucedem simultaneamente. Também é assim com a vida de forma geral, no mais das vezes o que imaginamos ser a resposta de algo não é nada além do que mais do mesmo. Muito fica escondido nas entrelinhas, e o raciocínio formal – matemático e analítico – não capta de forma alguma este espaço vazio cheio de significado que constitui a maior parte do que existe.
Esta introdução pode parecer um tanto quanto evasiva, mas não é. Entender a crise econômica atual tem se mostrado um exercício permanente de tentar pensar fora do comum. As velhas idéias não correspondem mais aos fatos, e o bom senso perdeu um pouco da razão nestes tempos de pânico econômico anestesiado via liquidez fartamente abundante.
A China, por exemplo, fez um movimento sutil, mas que aponta para algo que estava meio esquecido desde o início da crise subprime. Quando tudo parecia estar derretendo, quando os mercados mundiais sofriam quedas recordes dia após dia, quando os investidores tentavam dar preço ao fim do mundo; parte dos políticos (em especial os presidentes dos Bancos Centrais) dos países industrializados viam com preocupação o início de uma guerra entre os países pelo pouco que sobrava de dinamismo econômico no mundo.
E como se captura este dinamismo econômico entre países? Através da taxa de câmbio. Se um país desvaloriza sua moeda este pode, em tese, exportar mais e com isto importar vigor econômico de outras regiões.
Obama não queria ver a já combalida economia mundial numa guerra cambial fratricida, o que poderia, em última instância, deteriorar mais ainda a economia norte-americana. Foi então que o presidente norte-americano usou toda sua popularidade para acalmar o mundo em torno de um plano unificado de ataque a crise, e parte deste plano consistia, além da enxurrada de dinheiro, num acordo tácito de não manipulação no câmbio.
O tempo passou e o mundo percebeu o óbvio: a política de juros zero nos EUA acabou por enfraquecer o Dólar, o que proporcionou certo alívio àquela economia. Além dos juros zerados, o FED garantiu através de linhas de swap cambial aos principais países industrializados e emergentes, Dólar em abundância. O mantra era: o Dólar não pode se apreciar.
Mais algum tempo passou e a crise Grega entregou de bandeja à Alemanha e a França um Euro mais fraco. Resultado? Maior dinamismo para as principais economias da Zona do Euro. A Alemanha e França podem até ver com certa apreensão a crise fiscal do Velho Continente, mas seria ingenuidade não imaginar que estes mesmo dirigentes não estejam comemorando um Euro mais fraco.
Agora é a vez de combinar com o outro time. Os países do G7 vêem como um incômodo irritante o câmbio fixo chinês e os efeitos deletérios disto sobre o nível de atividade global. O que os EUA e Europa estão dizendo é: China, deixe seu câmbio se valorizar que o mundo vai crescer com a demanda dos seus 1,3 bilhão de habitantes.
Já que o mercado consumidor dos EUA e da Europa está deteriorado devido à crise imobiliária/financeira, estes países querem que os chineses sejam sua mola propulsora.
O governo chinês não parece disposto a entrar nesta ciranda de graça. Devemos ver nos próximos dias uma negociação silenciosa em torno da guerra surda do câmbio.”








E, com isto os investidores minoritários só levando prejuízos. Eu, por exemplo, estou vendo o meu capital investido em ações, principalmente, da Petrobrás exaurir aos poucos já chegando na casa dos 48%